quarta-feira, 25 de novembro de 2009

feliz você vai perceber que era algum tempo depois

(Marcos Prado)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

resto

Um resto foi o que ela virou. Um resto assim, coisa sobrada indefinida. Ela, que queria ser qualquer coisa plena. Era um resto que ela levava para casa, de volta para a vida conjugal. Um resto disforme. Voltar de ônibus, em pé, carregando o resto. O resto e a decepção, veja bem. Olhos pesados, testa contraída, mas nenhum pensamento. Precisava de um banho e de enterrar o resto no quintal. Era essa a rotina. Pegava suas sobras e enterrava no quintal. um wannabe poeta diria que ela estava se enterrando aos poucos. Não deixava de ser assim. Cada resto escondido na terra somava-se aos outros e, acabava que o enterrado era maior do que o que caminhava na superfície.
primeiro conto sério que eu coloco em um blog.

domingo, 8 de novembro de 2009

.poemeto erótico.



Teu corpo claro e perfeito,
- Teu corpo de maravilha
Quero possuí-lo no leito
Estreito da redondilha...

Teu corpo é tudo o que cheira...
Rosa... flor de laranjeira...
Teu corpo branco e macio
É como um véu de noivado...

Teu corpo é pomo doirado...
Rosal queimado do estio,
Desfalecido em perfume...
Teu corpo é a brasa do lume...

Teu corpo é chama e flameja
Como à tarde os horizontes...
É puro como nas fontes
A água clara que serpeja,
Que em cantigas se derrama...
Volúpia de água e da chama...

A todo momento o vejo...
Teu corpo... a única ilha
No oceano do meu desejo...

Teu corpo é tudo o que brilha,
Teu corpo é tudo o que cheira...
Rosa, flor de laranjeira...


Manuel Bandeira
(não lembro em que livro foi publicado, mas ele está em "meus melhores poemas")

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

não vale a pena, after all

domingo, 20 de abril de 2008

Que coisa estranha é a vida. É tão paradoxal.
Mas estranha ainda é a influência a qual nos submetemos. Passamos por algumas coisas, altamente evitáveis, para viver um ideal. O ideal romântico, o ideal bovary, o ideal comunista que seja. E pra que tudo isso? Pra que isso serve?
Como alguém pode se deixar levar por algo que acorrenta desse jeito, que anula?
Sim, rende algumas boas idéias para contos, ou até mesmo poesias. Mas não vale a pena.
Dores, dores, dores. A gente passa a vida toda dizendo que foge delas, enquanto corremos em sua direção.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Era pra eu estar escrevendo outra coisa. Mas esse assunto veio hoje e ficou.
Estava eu escrevendo uma das autobiografias mais estranhas para a aula de francês, quando eu lembrei da morte do meu avó.


« Recife...
Rua da União...
A casa de meu avô...
Nunca pensei que ela acabasse!
Tudo lá parecia impregnado de eternidade
Recife...
Meu avô morto.
Recife morto,
Recife bom, Recife brasileiro como a casa de meu avô. »

Acho que nunca uma poesia tinha conseguido me fazer chorar. Não pela poesia em si (que eu adoro aliás) mas por uma única frase. Meu avô morto. Ele era a pessoa mais incrível que eu conheci. Já faz dois anos agora. Mas aquela cena, dele se contorcendo de dor na cama vai ficar pra sempre. Eu fiquei lá, tão impotente, olhando e tentando parecer bem durante as tréguas que a dor dava. (É incrível a quantidade de citações que vêm na cabeça quando a gente não precisa delas) « the punishment sometimes don’t seems to fit the crime ». Meu avô não mereceia tanta agonia. Eu já me afastei de muitas pessoas nessa vidinha, mas é dele que eu sinto mais falta. Nunca fui uma neta presente e ativa, sempre ficava na minha, do lado de fora da casa, nas minhas viagens infinitas. E duvido que se ele ainda estivesse aqui eu fosse mudar. Mas a idéia de não ter mais alguém que você realmente amou é a pior. Não importa quem, nem que tipo de amor. Isso acaba com qualquer um.